quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Já tens a tese.

Hoje comemora-se aniversário de morte do antigo dono da cadeira dois da ABL. Do JGR (JJ) ou, ainda, do João Guimarães Rosa.

Na verdade, aniversário de morte dele pouco me importa. Não que eu tenha desprezo, só "me não" interesso muito.

Todavia, por algum motivo, eu tinha que vir aqui hoje e escrever alguma coisa. Para quem sabe o que é, já sabe. Para os que não sabem, apenas leiam o que está escrito, ou podem também desenvolver uma tese de doutorado e pesquisar o porquê. (Rá!)

R. de G.
1/5 centenário.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Problema grego!

Quem aparece sempre é vivo. Por isso ele está aqui de novo para escrever algo próprio, de sua autoria, nada de ficar escrevendo poemas esdrúxulos ou plagiando meros escritores ingleses que ninguém conhece.

Por tudo isso pouco, outrem está de volta para trasmitir-lhes palavras de saber. Não que seja sábio, ao contrário, tem tão pouca inteligência quanto aquele que é autodidata.

E agora ele começa o seu breve texto.

E aí vem uma dúvida. Começar por período simples ou composto? Se for por aquele terá que ser tão breve como uma chuva fina, se for por este eStenderá tanto que até os mais descritivistas lhe chamarão de agramatical. E esse é só o primeiro problema. Bom, optastes pelo período longo, por não ter apego às coisas pequenas.

Veio-lhe outra questão: escrever sobre fatos cognoscíveis ou não?! Nada como um conflito que já afligia aos gregos. Pensou em trasmitir uma idéia real, mas como trasmitir algo real apenas com as palavras? Para entendê-lo, ele teria que fazer cada um passar o que passou para compreender seu drama. Preferiu passar adiante.

Depois, um pouco cansado dessas questões assaz relevantes, resolveu finalmente transcrever seus pensamentos. E o texto começava assim : "Havia na vila de La Macha um senhor fidalgo que era deveras respeitado..."

Já se encontrava no segundo capítulo quando lhe veio uma pungente dúvida. O engenhoso fidalgo tinha um cavalo, todos os chamavam de Rocinante, inclusive ele. Entrementes, quando foi transcrever o nome a pena não seguia o pensamento. Não sabia se começava com R ou H, embora soubesse que o som era de /R/, e ademais não sabia se seria com C ou S, mesmo sabendo que o ruído seria de /s/. Por fim largou a pena e alimentou o fogo com suas folhas escritas.

Ali morreu uma história razoável.


R. de G.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

WS

Como nasce o amor no mundo?
Do coração bem fundo
ou da mente oriundo?

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Enbilharado

Mesa verde
Presente nas sombras
(in)só(m)brio
(a)onde vou/estou

Precipí(ini)cio
Meu corpo que cai
Acordar? Difícil
Já era tarde, quase dia.

Regratrês, mais de três
Chorar-te-ão. Can(sa)ção
N(ã)o canto no tom.
Canto em só. Si só.

Pareciaqueeraaminhaaquelasolidão.

R. de G.

(Post scriptum: "Há seus méritos em não ser compreendido." Baudelaire)

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Pergunte à poeira!

Não era um grande dia quando nasceu. Mas a partir do momento em que o cordão umbilical foi rompido e começou a respirar autonomamente, esse simples dia passou a ser considerado importante. Ao olhar para o semblante que apresentava, algumas pessoas já diziam prever um grande futuro para aquele ínfimo ser. Tudo girava ao seu redor.

Ao se passarem alguns invernos - prefiro este à primavera - parecia querer afirmar, sem querer, as previsões feitas a seu respeito. Tudo dançava em torno. Quando tinha uns 4 ou 5 anos, já resolvia problemas de física quântica. Andava só, pois só ele sabia para onde ir e por onde andou. Foi criado para ser grande, mesmo pequeno. Enquanto não tinha idéias próprias, limitava-se a fazer o que os outros recomendavam ou forçavam.

Como o tempo não pára, não preciso dizer que ele passou, assim sendo, foi enviado às melhores escolas, para aprender o que havia de melhor da melhor maneira. E foi aí que coisas estranhas começaram a acontecer. Apaixonava-se pelos erros das pessoas, e pelas pessoas erradas - ou certas? Nunca saber-se-á!

Aos quinze anos ouvia Ray Charles, Mozart, lia Sócrates, Dostoiévsky nas línguas originais. Compreendia Borges como ninguém. Ia a concertos de óperas sozinho, ou com os pais. Não tinha amigos que o acompanhassem. Tanto melhor!

Quando dezesseis anos, apaixonou-se pela menina mais bela da escola, possuía ela alguns dous dentes ou menos. Tinha ela seu cabelo áspero jogado aos ombros, olhos negros como jabuticaba. Face roxeada. Tentou uma aproximação silenciosa. Ao perceber que não daria muito certo, decidiu-se por conversar francamente com a musa. Ela disse não!

No dia seguinte foi encontrado no próprio quarto com os pés flutuantes, sem cordão umbilical que salvasse. Carregava no bolso uma obra de Goethe.

R. de G.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Sete ou nove?

Setembro. O mês que começa com sete, na verdade é o nono do ano.

Para começar, e só agora sendo cristalino, é o mês que comemora-se, o centenário de morte de um cara que gostava tanto de lenhar que tinha até machado no nome. Vinte e nove do nove. Essa é a data! Creio que comprarei um bolo, e come-lo-ei sozinho.

Mês que quem nasceu recentemente comemoraria aniversário de nascimento, infelizmente nao fará. Há pouco tempo que o primeiro mês se foi. Mês infeliz. Não era grande. Agora deve estar menor. Quem nasce por esses pode dizer sem remorso que morrerá virgem.

Esse texto está uma merda, nem sei porque estou postando-o, mas já que tem muito tempo que nao escrevo nada, deixá-lo-ei aqui. Melhor que nada.
O de cima tentarei melhorar, prometo.

R. de G.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Alencar??

Ela entrou no salão, quando ainda (ou já) estava-se no meio da festa.
Um longo preto, longe de ser básico, era o que trajava. Um ou dous efeitos de maquiagem para realçar o que tem de mais bela, não para parecer o que na verdade não é.
Chegou sozinha. Minto! Chegou acompanhada. Acompanhada de anjos nos ombros, carregando-a no andar, pois a forma como o fazia era mais que um simples andar.
Na entrada do salão ficou a virar sutilmente a cabeça de um lado para o outro, como que procurando alguém - embora tenha para mim que era para que todos pudessem contemplá-la.

Avistou alguma coisa e foi nessa direção - não na minha, não tenho sorte em nada, muito menos com mulheres. Encontrou-se com algumas amigas, não eram feias, mas incomparáveis à dama em questão. Cumprimentou-as com delicados beijos na face e um sorriso magnífico. Sentou-se ajeitando o vestido.

Na hora da valsa, alguns mancebos tentaram tirá-la para a dança, não aceitou os primeiros, por desdém ou por desconhecê-los. Aceitou um rapaz alto, não muito magro e nem muito belo, o motivo é desconhecido. Dançou algum bom tempo com ele até que se fatigou. Pediu ao garçom que levasse-lhe água na mesa em que retornara. Arriscar-me-ia tentar tirá-la para dança também se a cena que via não estivesse tão única. Como que já satisfeita pela valsa, pos-se a dialogar com as companheiras de mesa e, a cena a qual me refiro, com sorrisos largos e lindos o fazia. Não gargalhava, apenas um ou outro sorriso com graciosos gestos de alegria, os quais pela leveza e simpatia agradavam-me bastante.

Ao fim da festa, parecia que acabara de chegar.

R. de G.